Tag Archive for: instrumentos obsoletos

Oficleide – o mesmo que ophicleide, oficlide ou figle – é um instrumento de sopro da família dos metais parecido com a tuba, inventado por Antoine Joseph Sax, construtor de instrumentos belga, no século XIX. O nome deriva do grego (ophis, ópheos – serpente) + kleidos, kleidós – chave), serpente com chaves ao longo do corpo.

Com uma presença visual marcante e uma sonoridade robusta, que floresceu no século XIX como um precursor da tuba. 

A sua construção peculiar envolvia um corpo cónico largo, semelhante ao da tuba, mas com um sistema de chaves complexo, inspirado no oboé e no fagote, em vez dos pistões ou varas dos outros metais. Estas chaves permitiam ao músico controlar o fluxo de ar e produzir uma gama surpreendentemente ampla de notas, com uma sonoridade que podia variar do suave e melancólico ao forte e retumbante.

O oficleide encontrou o seu lugar em orquestras, bandas militares e óperas do século XIX, adicionando uma cor grave e expressiva à secção dos metais. Compositores como Berlioz e Mendelssohn exploraram as suas capacidades em obras importantes. No entanto, com o desenvolvimento e aprimoramento da tuba e do bombardino, o oficleide gradualmente caiu em desuso, tornando-se uma curiosidade histórica. 

É um instrumento de sopro do grupo 423 (no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais), um aerofone de bocal (também chamado de palheta labial) em que os lábios do executante causam diretamente a vibração do ar.

ETIQUETAS

  • Instrumentos de bocal
  • Instrumentos inventados no século XIX
  • Instrumentos inventados por Sax
  • Instrumentos de palheta labial
Oficleide alto

Oficleide alto

Sarrusofone é uma família de instrumentos transpositores patenteados e produzidos por Pierre-Louis Gautrot em 1856. Foi chamado sarrusofone por causa do maestro de bandas Francês Pierre Auguste Sarrus (1813-1876), idealizador do instrumento. Foi criado para servir como substituto, em bandas, do oboé e do fagote, cuja potência sonora não atendia os requisitos necessários para se tocar em lugares abertos.

A 24 de maio de 2024, o Museu Nacional da Música (Portugal, Mafra) recebeu três novos instrumentos da coleção (soprano, alto e baixo) fabricados por volta de 1870, em França, pela Gautrot-Marquet. Em Portugal, a presença do sarrusofone está bem documentada entre o último quartel do século XIX e o começo do século XX. Apesar disso, o Museu Nacional da Música não dispunha de um único exemplar.

Fonte: MNM

Sarrusofone, foto Museu Nacional da Música

Sarrusofone, foto Museu Nacional da Música

Datado do século XVI, o serpentão é um instrumento de sopro da família dos metais, com bocal e corpo longilíneo e serpenteado (de onde lhe vem o nome). Foi muito popular durante o século XIX, principalmente em orquestras e bandas militares. 

É um instrumento de sopro do grupo 423 (no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais), um aerofone de bocal (também chamado de palheta labial) em que os lábios do executante causam diretamente a vibração do ar.
Serpentão, em Português

Serpentão, em Português

ETIQUETAS

  • Instrumentos de sopro de metal
  • Aerofones de bocal

Harpa de vidro (também chamada harmónica de vidro, verrillon, copofone ou copos musicais) é um instrumento que surgiu na Europa no século XVII, provavelmente inspirado nos instrumentos asiáticos constituídos por taças metálicas ou de porcelana. As taças de vidro ou cristal afinadas por água em maior ou menor quantidade são friccionadas pelos dedos molhados do intérprete. A partir do copofone, Benjamin Franklin inventou a harmónica de vidro.

Harpa de vidro, em Português

Harpa de vidro, em Português

A lira, cognata do inglês “lyre”, é um cordofone de beleza singular, facilmente reconhecível por seu formato distinto. Caracteriza-se por dois braços verticais de madeira que se elevam de uma caixa de ressonância inferior, unindo-se no topo por uma travessa horizontal. Desta travessa, estendem-se cordas até a base da caixa de ressonância, prontas para serem dedilhadas e vibrar, produzindo melodias suaves e etéreas.

Na rica tapeçaria da mitologia grega, a lira ocupa um lugar de honra, sendo o instrumento de Apolo, o deus das artes, da música, da poesia e da luz. Essa associação divina elevou a lira a um patamar simbólico, tornando-a um emblema da própria música dentro da cultura ocidental. Sua imagem evoca tempos antigos, serenatas sob a luz da lua e a declamação de versos por poetas e menestréis.

A construção da lira, com sua estrutura aberta e elegante, reflete a delicadeza de seu som. As cordas, tradicionalmente feitas de materiais naturais como tripas de animais, eram tensionadas entre a travessa e a caixa de ressonância, permitindo uma variedade de notas dependendo do número de cordas e da afinação. A técnica de execução envolvia o dedilhar das cordas com os dedos de uma ou ambas as mãos, criando harmonias simples, mas expressivas.

Ao longo da história, a lira passou por diversas transformações em termos de materiais, número de cordas e formato, mas a sua essência como um instrumento portátil e melodioso permaneceu. Embora não seja um instrumento comum na música contemporânea, a sua influência perdura, seja em representações artísticas, na literatura ou como um símbolo da herança musical clássica. 

Lira

Lira

Lira-Viola, também chamada Viola bastarda, é uma guitarra em forma de lira fabricada no século XIX que fazia o contraponto à melodia principal.

A sua construção, com o corpo a evocar as curvas clássicas da lira, certamente lhe conferia uma estética distinta. As cordas, dispostas ao longo do braço trastejado como numa guitarra, permitiam ao músico dedilhar ou rasgar acordes e melodias que se entrelaçavam com a voz principal ou com outros instrumentos.

A designação “bastarda” pode sugerir um papel secundário, mas a verdade é que o contraponto é essencial para a riqueza e a complexidade da música. 

ETIQUETAS

  • Instrumentos caídos em desuso
  • Instrumentos inventados no século XIX
  • Instrumentos começados por l
Lira-viola

Lira-Viola

Virginal é um instrumento de tecla e corda beliscada com origens no saltério, mais antigo e mais pequeno do que o cravo, foi muito popular em Inglaterra na segunda metade do século XVI. Os virginais eram instrumentos magnificamente decorados.

A sua mecânica interna, embora mais simples que a do cravo, permitia a execução de melodias líricas e harmonias suaves, perfeitas para a música da época. Uma das características notáveis dos virginais era a sua beleza estética. Eram frequentemente decorados com pinturas elaboradas, incrustações preciosas e detalhes ornamentais, refletindo o gosto refinado dos proprietários e transformando-os em verdadeiras obras de arte, além da sua função musical.

O virginal desempenhou um papel importante na vida musical da Inglaterra elisabetana, sendo utilizado tanto para entretenimento privado como em pequenas reuniões musicais. A sua sonoridade íntima e a sua beleza visual faziam dele um objeto de desejo e um símbolo de cultura e sofisticação. 

ETIQUETAS

  • Cordofones de tecla
  • Instrumentos de corda beliscada
  • Instrumentos obsoletos
Virginal

Virginal

Piano de mesa, ou piano quadrado, é um cordofone de tecla em forma de mesa, diferente do piano de cauda ou do piano vertical, do século XIX.

A sua estrutura, embora em forma de mesa, albergava o complexo sistema de cordas, martelos e abafadores, tal como os seus parentes maiores. As teclas, dispostas de forma semelhante, permitiam a execução de melodias e harmonias com a mesma riqueza expressiva. No entanto, devido ao seu formato e ao comprimento das cordas, o piano de mesa geralmente possuía um alcance sonoro e um volume inferiores aos dos pianos verticais e de cauda.

A sua popularidade no século XIX deveu-se à sua adequação a espaços menores e à sua estética que se integrava facilmente nos lares da época. Era um instrumento que permitia desfrutar da música pianística em ambientes domésticos, sem ocupar o espaço considerável de um piano de cauda. 

Foi um dos instrumentos domésticos preferidos da burguesia europeia do século XVIII, pelo seu reduzido tamanho, preços acessíveis e sonoridade discreta. Entre os fabricantes deste instrumento destacou-se Muzio Clementi, pedagogo, editor e compositor.

Piano de mesa

Piano de mesa