Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida.ETIQUETAS
- Idiofones percutidos
- Família dos gongos
- Instrumentos começados por g

Enciclopédia de instrumentos musicais do mundo
Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida.ETIQUETAS
Nos instrumentos da categoria aerofone, o som é produzido principalmente pela vibração do ar ou pela sua passagem através de arestas ou palhetas: o instrumento por si só não vibra, nem há membranas ou cordas vibrantes.ETIQUETAS
Nos instrumentos da categoria aerofone, o som é produzido principalmente pela vibração do ar ou pela sua passagem através de arestas ou palhetas: o instrumento por si só não vibra, nem há membranas ou cordas vibrantes.ETIQUETAS
A ocarina é um aerofone de cerâmica da família das flautas globulares, geralmente ovais, com orifícios e embocadura. A palavra, italiana, significa literalmente “pequeno ganso”. Existem exemplares de ocarina em povos pré-históricos e no México pré-colombiano.
A ocarina é um instrumento de sopro, feito de barro cozido, formando uma concavidade fechada para onde, através de um bocal em bisel, é soprado o ar que lá vibra dentro, saindo por dez orifícios destinados aos dedos do tocador que assim produzem as notas musicais. Tem uma forma oval, semelhante ao corpo de um pato (oca, em italiano – e daí o nome) e as suas dimensões variam, desde os mais diminutos (sopraninos) aos maiores e mais bojudos, responsáveis pelos sons mais graves.
O séc. XIX assistiu à constituição de grupos de ocarinas tocando pela partitura as melodias em voga (marchas, valsas, polcas, etc.), os quais contribuíram para a divulgação desses trechos de origem centro-europeia nos meios populares, de forma semelhante às tunas e bandas filarmónicas.
A nível popular, Ernesto Veiga de Oliveira localizou um intérprete de ocarina na região de Barcelos e José Alberto Sardinha vários tocadores na região estremenha do barro: Caldas da Rainha, Cadaval, Torres Vedras e Mafra, bem como em Ponte de Lima.
FONTES
Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Ernesto Veiga de Oliveira
Tradições Musicais da Estremadura, Tradisom 2000, José Alberto Sardinha, 459-463
Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.
por Manuel Morais A primeira menção conhecida do vocábulo machete, desta feita usando o diminutivo machinho, encontra-se citada num longo poema (escrito provavelmente em Coimbra por volta de 1660) de Gregório de Matos (Salvador, 7-IV-1636 – Recife, 26-XI-1696), onde se lê:
“[…] Criam-nos com liberdade / nos jogos, como nos vícios, / persuadindo-lhe, que saibam / tanger guitarra e machinho. […].
No “Regimento para o ofício de violeiros” de Guimarães, datado de 1719, o pequeno cordofone de mão é mencionado sob a designação de “Machinhos de quatro cordas” [duplas?] bem como “Machinhos de sinco cordas”, juntamente com “Violas de marca grande”, “meias Violas” e “Viollas pequenas”. O instrumento, neste caso designado já por Machete, é também incluído – juntamente com Violas, Bandurras, Harpas e Rabecas – no “Rol da tacha do ofício de violeiro”, feito em Évora a 30 de Dezembro de 1778.
Numa colectânea para Viola de cinco ordens, que se guarda na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (P-Cug M.M.97), manuscrito não datado mas seguramente copiado em inícios do séc. XVIII, o termo volta a surgir do seguinte modo: “como se tempera a Viola com o machinho”. Num manuscrito setecentista (c. 1720) para rabeca de Pedro Lopes Nogueira (P-Ln, M. M. 4824) a afinação do machete serve de base para se praticar a “scordatura” no violino: “afina-se a terceira corda da rabeca pella terceira corda do Machinho” ou a “segunda da rabeca pela quarta corda do Machinho”, etc.. Infelizmente não chegou até nós nenhum machete ou machinho do séc. XVII ou XVIII, salvo que em alguns presépios, ou lapinhas, setecentistas se mostram uma panóplia de instrumentos músicos, onde se poderão encontrar alguns cordofones de caixa em forma de oito e braço longo que poderão ser tomados por representações iconográficas do machete, sendo problemática a sua justa atribuição, já que existiam neste período violas pequenas, que de certo modo, se podem confundir com o pequeno e peculiar cordofone aqui mencionado. Para terminar, acrescento que o termo machete ou machinho, segundo vários léxicos sete e oitocentista, é uma “violinha, descante”, e que “Machete, s.m. [é] Viola pequena [e] vem do Lat. macer”, que quer dizer “magro ou delgado”.
Situa-se no índice 32 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos. É um cordofone composto, instrumento de corda que tem caixa de ressonância como parte integrante e indispensável. Nos instrumentos da categoria “cordofone”, o som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas tensionadas.
ETIQUETAS
Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.
adufe é um instrumento musical bimembranofone de caixilho, de forma quadrada, com soalhas ou outros objetos percussivos no interior. É tradicional, em Monsanto e na Beira Baixa, onde é tocado por grupos de mulheres. É segurado pelos polegares de ambas as mãos e pelo indicador direito, sendo percutido pelos outros dedos. Inclui movimentos de percussão e de abafamento.
Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida.
Ernesto de Oliveira refere a sua existência no século XX em várias regiões de Portugal, sobretudo em Trás-os-Montes, Beira Baixa e Alentejo Interior. As suas dimensões e forma de suportá-lo variam de região para região, assim como o nome que, por vezes, se chama pandeiro. Terá sido introduzido na Península Ibérica pelos árabes entre os séculos VIII e XII.
No século XXI, o artesão e percussionista Rui Silva introduziu diversas inovações. Segundo Rui Silva, até 2013, nenhum adufe tinha tido sistema de afinação. Se antes as peles eram esticadas com recurso a fontes de calor, nos seus adufes o artesão introduziu dois parafusos e uma chave que permitem à adufeira, ou adufeiro, de acordo com o contexto, a técnica a utilizar e a temperatura ou humidade.
Outra das inovações introduzidas por Rui Silva foi criar lados diferentes no seu instrumento: um tradicional, outro moderno. O tradicional tem bons graves e médios; o outro permite sons mais agudos e mais clareza e articulação, pela aplicação de técnicas de dedos. No mesmo instrumento, a espessura não é igual, podendo ser de 5 cm num dos cantos, 6 no outro, ou 7 nos outros. Essa diferença permite mais conforto, podendo o músico suportar o instrumento pelo lado que lhe dá mais jeito. Além disso, contribui para novas possibilidades tímbricas.
As arestas são arredondadas e suaves, o que também contribui para o conforto de quem toca. Uma alça que permite tocar adufe português “à espanhola”. Neste caso, uma mão toca diretamente numa das membranas; na outra a percussão é feita com baqueta, como acontece em Peñaparda, Espanha.
Além de personalizadas, as decorações (maravalhas que se encontram nos cantos) podem retirar-se ou colocar-se. Como acessórios, Rui Silva proporciona elásticos e guizos. No seu sítio, além da loja e das inovações referidas, Rui Silva tem guia de cuidados a ter com o instrumento, como aprender a tocar, cantigas de adufe, exercícios, cursos e a sua biografia.
António José Ferreira
ETIQUETAS
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança, o bem estar dos seniores e a capacitação de profissionais.
Contacte-nos:
António José Ferreira
962 942 759
cordofone dedilhado, a bandurra é também conhecida por Viola beiroa. Utilizava-se esta Viola popular portuguesa (que era muito frequente no distrito de Castelo Branco), nas tabernas, e em momentos festivos como os casamentos, nas serenatas aos noivos, nas vésperas e na noite da boda.
O instrumento situa-se no índice 31 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais (cordofones simples, compostos de cordas esticadas em um suporte, com caixa de ressonância, neste caso).
Situa-se no índice 32 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos. É um cordofone composto, instrumento de corda que tem caixa de ressonância como parte integrante e indispensável. Nos instrumentos da categoria “cordofone”, o som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas tensionadas.
ETIQUETAS
Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.
Nos aerofones, categoria 4 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos, o som é produzido principalmente pela vibração do ar ou pela sua passagem através de arestas ou palhetas: o instrumento por si só não vibra, nem há membranas ou cordas vibrantes.ETIQUETAS
Banjo é um cordofone dedilhado com caixa redonda e braço comprido trastejado. Foi criado por afro-americanos e é típico da música “country” norte-americana.
Passou a ter um papel significativo na música popular americana a partir do século XIX, especialmente na música country, bluegrass, folk e jazz.
Originário da África Ocidental, foi transportado pelos escravos para a América do Norte. Com o passar do tempo, o banjo foi se adaptando e evoluindo, tanto na sua construção quanto na sua utilização em diferentes estilos musicais.
O instrumento consiste em uma caixa de ressonância circular, geralmente feita de madeira, com uma pele esticada em cima dela. O braço do banjo é longo e possui trastes, semelhantes aos encontrados em guitarras. As cordas do banjo podem variar em número, mas geralmente são quatro ou cinco. Algumas variações do instrumento, como o banjo tenor e o banjo de doze cordas, também são encontradas.
O som característico do banjo é produzido pelo dedilhado das cordas, geralmente com o auxílio de um pics (plectro), uma espécie de palheta utilizada para amplificar o som. O seu timbre é brilhante, percussivo e distintivo, com notas curvas e rápidas, o que contribui para seu uso em estilos musicais que requerem ritmos animados e técnicas complexas de dedilhado.
O banjo teve um papel importante na disseminação da música popular americana em todo o mundo, além de ser um ícone cultural associado à cultura rural dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o banjo tem sido utilizado em uma variedade de géneros musicais, desde pop até rock e até mesmo hip-hop, demonstrando sua versatilidade e capacidade de adaptação às tendências contemporâneas da música.
(com IA)
Situa-se no índice 32 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos. É um cordofone composto, instrumento de corda que tem caixa de ressonância como parte integrante e indispensável. Nos instrumentos da categoria “cordofone”, o som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas tensionadas.
ETIQUETAS
“[…] E depois a musicata / Que precede aquella dança! / rajão, Viola, pandeiro / Instrumentos de chibança; / E o clássico braguinha; / Oh que bella fadistança.”.O vocábulo braguinha aqui usado, é resultante da simplificação da designação de “Machetinho de Braga” ou “Machete de Braga”, que vamos encontrar em textos e manuscritos musicais no Funchal, entre 1899 e 1904, para indicar este cordofone de mão, ou de cordas dedilhas. São muitas as gravuras, coloridas (ou não), desenhos aguarelados ou guaches, onde se mostram as características morfológica deste pequeno cordofone de mão: caixa, ou corpo, em forma de oito, braço longo que termina por um cravelhal contendo quatro cravelhas dorsais, que servem quatro cordas. Uma das representações mais belas e importantes foi publicado no livro de Andrew Picken (1788-1833), ” Madeira Illustrated”, dada à estampa em Londres no ano de 1840, intitulado “Funchal From Saõ Lazaro”. Numa gravura, não menos bela, publicada no livro do médico inglês Michael C. Grabham (fl. 1869-70), Londres 1870, sob o título “Funchal, from the Palheiro road”, o pequeno e peculiar instrumento é aí representado.
“Ainda que a iconografia possa ser um complemento importante para o estudo organológico e morfológico dos diferentes tipos de instrumentos madeirenses de corda dedilhada, devem ser tomados com bastante cautela, em virtude de muitos destes desenhos/gravura nem sempre reproduzem fielmente a realidade local, nem os seus autores serem peritos em música”.Ainda que muito importantes, estas representações iconográficas valem o que valem, mas não podem ser tomadas como uma verdade irrefutável. Daí que teremos de buscar outras modos de fixação da realidade factual, como é o caso da fotografia, em pleno desenvolvimento neste século de 1800. Numa fotografia (de um fotografo funchalense) da bela imperatriz da Áustria, Elizabeth (1837-1898), conhecida por Sissi, que esteve por duas vezes na Madeira, onde na primeira, em Novembro de 1860, posou com as suas damas de companhia, empunhando um machete (construído por Ocataviano João Nunes) que teve a possibilidade de tocar e estudar com o “hábil machetista”, Cândido Drumond de Vasconcelos (fl. 1841-1875). “Last but not least”, é a descoberta de um, conjunto de fotografias, datadas de 1860, das três irmãs inglesas, Alice, Lorina e Edith Liddell, fotografadas por Lewis Carroll. Dois tipos de Machete ou Machetinho aí se monstram: dois de escala rasa com o tampo e outro de escala em ressalto. Ainda que para alguns madeirense lhe custe aceitar que o Machete não era um instrumento exclusivo da ilha da Madeira, muitos documentos, onde incluo-o estas fotografias, são prova irrefutável desse facto: que o pequeno e peculiar cordofone de mão era tocado “gozado e abusado” fora da “Perola do Atlântico”. As três “mininas” inglesas disso fazem prova, juntando que estão vestidas com roupas bordadas e com rendas madeirenses, vestidos esses que são usados por uma classe da alta burguesia inglesa. Mas o que é exclusivo do arquipélago da Madeira – único em toda a macaronésia, como também no Continente, no Brasil e em todos os longínquos lugares onde este pequeno “quatro” se usa – é o seu repertório único e tão diversificado de obras escritas por um grupo de compositores funchalenses, fixadas em manuscritos, compilados entre ca. 1840 a 1904, sejam para ser tocadas a solo, em duo, em trio, acompanhado pela Viola francesa ou violão, acompanhando o canto (com letras em português e em inglês). Este “milagre” é resultante da terrível tísica que assolou todo o século XIX e parte da centúria seguinte, e que teve como destino curativo a bela e esplendorosa ilha da Madeira, que como diz a letra do fado composto por Reynaldo Varela, por volta de 1900 : A Madeira é um encanto / Bela cidade é o Funchal / Do oceano é a pérola / A joia de Portugal.”. P.S.: Lewis Carroll, cujo nome é Charles Lutwidge Dodgson (Daresbury, 27-I-1832 — Guildford, 14-I-1898), foi, além de fotógrafo de renome, um romancista, poeta e matemático britânico. Leccionou matemática no Christ College, em Oxford, e é mundialmente famoso por ser o autor do livro “Alice no País das Maravilhas” e dos poemas presentes nesse livro, além de outros escritos em estilo “nonsense” ao longo de sua carreira literária, sendo considerados pelos críticos, em função das fusões e da disposição espacial das palavras, como precursores da poesia de vanguarda.
Foi graças à recente descoberta, que fizemos na ilha da Madeira, de seis novas compilações manuscritas (designadas por “Principios do Machete”) para o machete madeirense, duas datadas de 1843 e quatro de 1844 e 1845, respectivamente, que hoje podemos afirmar que nem sempre este pequeno e peculiar cordofone de mão fez uso da tradicional afinação, ré3 – sol3 – si3 – ré4, afinação essa que torna possível tocar todo o corpus do repertório que nos chegou entre os anos de 1846 a 1904. Todavia, e segundo o que é expressamente indicado nas fontes acima citadas, entre as décadas de 1843 e 1845, a afinação preconizada para machete madeirense, era a seguinte: ré3 – sol3 – si3 – mi4.A grande voga dos relatos de viagem, publicados ao longo do século XIX e inícios do XX, dedicados ao arquipélago da Madeira, contêm informações preciosas e são fontes inesgotáveis sobre o conhecimento das músicas e dos instrumentos que se usavam nestas belíssimas ilhas, situadas no vasto mar Atlântico. As edições, que consultámos, desta literatura de viagem – e que, nalguns escritos, a partir de meados de oitocentos, são já modernos guias turísticos – devem-se sobretudo à pena de um significativo número de estrangeiros, sobretudo britânicos, se bem que também encontremos autores norte-americanos, alemães, franceses e, mais raramente, portugueses, que visitaram o arquipélago da Madeira neste longo período histórico. Os viajantes que aportaram à Madeira eram pessoas cultas, de conhecimentos e formações muito diferenciados, o que alarga e diversifica muito a temática contida nos seus relatos. Muitos dos forasteiros que visitaram a ilha, além de nos terem deixado testemunhos importantes sobre matérias tão diversificadas como, entre outras, a vida musical neste arquipélago, deslocaram-se à Madeira sobretudo pela amenidade do clima, principalmente no Inverno, na tentativa de curarem a tuberculose, bem como outras doenças do foro respiratório. Todavia, alguns dos seus depoimentos nem sempre são fiáveis, sendo mesmo passivos de erros e imprecisões, particularmente aqueles cuja data da publicação do relato é bastante posterior à estadia do autor na ilha. Noutros, ainda, encontramos citações copiadas (“ipsis verbis”) de anteriores viajantes, em virtude de à data da sua redacção já terem sido traídos pela memória, ou quererem complementar os seus textos com matérias que não dominam, como é o caso muito particular da referência aos instrumentos ou à música que se praticava no arquipélago da Madeira. Muitos desses relatos devem ser tomados com parcimónia e sempre que possível cotejá-los entre si, ou cruzar, no caso de existirem, a informação que nos disponibilizam com os testemunhos de portugueses da mesma época. Também não poderemos deixar de salientar que a curta permanência da maioria destes viajantes, somada ao desconhecimento, nalguns casos, da língua portuguesa, bem como a uma tremenda sobranceria, particularmente por parte dos ingleses, perante os madeirenses em geral e os camponeses em particular, os levam a falsear ou a distorcer os seus escritos. É muito interessante comparar a leitura feita pela esmagadora maioria dos viajantes britânicos sobre o povo madeirense com a dos norte-americanos que tivemos a oportunidade de consultar. Contudo, nos relatos que conhecemos de viagem ao arquipélago madeirense, como, por exemplo, o do norte-americano, John Adams Dix, que o visitou no inverno de 1843, podemos ler que o machete – “que arma com quatro cordas de tripa” – era, segundo este autor, afinado por quintas, como o violino, ou, posteriormente, como o Bandolim. De outro norte-americano, o médico Albert Leary Gihon (1833-1901), do qual conhecemos um pequeno relato da viagem que fez à ilha da Madeira, publicado em 1877, diz-nos que o machete era afinado em tom menor e era tocado com uma unha postiça de metal colocada no dedo polegar. Perante as novas fontes que encontrámos e que citámos acima, não descartamos (como fizemos noutros anteriores escritos) nenhuma destas possibilidades de afinar o instrumento. Aliás, o uso da “scordatura” praticada sobre uma afinação padrão, não foi no passado, nem é no presente, caso particular do machete madeirense. Esta prática de “desafinar” alguma das suas cordas é característica dos cordofones, tantos os de mão como os de arco, para não andarmos muito mais para trás, desde pelo menos os inícios do século XVIII, razão pela qual não rejeitamos o uso de qualquer das afinações acima sugeridas. Manuel Morais
Musis é o sítio dos instrumentos musicais do mundo na sua diversidade e riqueza, com características que os aproximaram ao longo da História.

Morada:
Rua da Serra da Estrela, 86
4415-891 SANDIM VNG
Telefone:
+351 962 942 759
E-mail:
meloteca@meloteca.com
Morada:
Rua da Serra da Estrela, 86
4415-891 SANDIM VNG
Telefone:
+351 962 942 759
(Chamada para rede móvel nacional)
E-mail:
meloteca@meloteca.com