Enciclopédia de instrumentos musicais do mundo

Carrilhão é um instrumento musical composto por dezenas sinos de bronze afinados cromaticamente. Estes sinos são dispostos de forma a produzir uma harmonia agradável quando vários são tocados simultaneamente. O carrilhão é tocado através de um teclado, muitas vezes com teclas que são percutidas com as mãos semifechadas, e os sinos maiores podem também ser controlados por pedais.

É um instrumento complexo que permite expressão musical através da variação do toque, sendo frequentemente encontrado em torres de igrejas ou edifícios públicos, onde executa melodias e harmonias para o público.

Célebres são os dois carrilhões da Basílica de Mafra, Portugal, de que foi restaurado e reinaugurado um em 2020. Além dos carrilhões instalados em torres de igrejas, existem carrilhões ambulantes.

O Carrilhão LVSITANVS (Portugal) é o maior e mais pesado carrilhão itinerante do mundo. É composto por 63 sinos, pesa aproximadamente 12 toneladas e está apoiado sobre um semi-reboque porta contentores. O conjunto é movido por um tractor que lhe confere grande mobilidade e capacidade de itinerância.

Com o Carrilhão LVSITANVS é possível executar obras de variados estilos, do erudito ao popular, proporcionando assim belos momentos musicais, tanto em audições de música clássica como em ambientes de arraial ou outras festividades. Os concertos podem ser executados nos mais distintos ambientes, tanto ao ar livre como em recintos fechados, a solo ou juntamente com outros instrumentos ou agrupamentos.

Foi uma novidade em Portugal e na Península Ibérica e desperta grande interesse nos amantes da música.

Ao carrilhão LVSITANVS Ana Elias tocou em diálogo com Abel Chaves no carrilhão da Torre dos Clérigos no Porto.

Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida.

ETIQUETAS

  • Idiofones percutidos
  • Idiofones de badalo
  • Instrumentos começados por c
Carrilhão de Mafra, Portugal

Carrilhão de Mafra, Portugal

Carrilhão de orquestra é um instrumento de percussão do tipo idiofone metálico que simula o som de sinos sinos de igreja. Consiste em um conjunto de tubos metálicos verticais de diferentes comprimentos, cada um afinado para uma nota específica da escala cromática. Esses tubos são suspensos e percutidos com um martelo para produzir um som ressonante e metálico. É utilizado em orquestras para criar efeitos especiais, melodias de sino ou evocar atmosferas solenes ou festivas.

Os tubos, suspensos, aguardam o toque do martelo do percussionista. Cada golpe liberta uma onda sonora pura e vibrante, que transporta os ouvintes para atmosferas solenes, como as de uma cerimónia religiosa, ou festivas, como as de celebrações alegres.

Embora não possua a complexidade harmónica de um carrilhão de igreja, o carrilhão de orquestra oferece aos compositores uma paleta sonora única para criar efeitos especiais marcantes, inserir melodias simples de sino ou pintar paisagens sonoras evocativas. 

O grande órgão da igreja da Lapa, no Porto, têm um registo de carrilhão.

Carrilhão de orquestra

Carrilhão de orquestra

O sino é um instrumento do tipo idiofone, com badalo, feito de bronze, existente e ainda funcional em muitas igrejas. Um conjunto de sinos afinados para o efeito forma um carrilhão. “Os sons dos sinos integram a paisagem cultural e sonora de diversas cidades portuguesas que ainda mantêm ativos esses instrumentos como parte de seu património sonoro e artístico.

Através dos seus toques, os sinos foram responsáveis, desde tempos remotos, por ordenar o tempo, alegrar as festividades, comunicar publicamente variadas notícias, alertar para as intempéries e incêndios, garantir a proteção espiritual, chorar os mortos, regular o trabalho, ajudar nos partos difíceis, entre outras funções.

O cotidiano das cidades era marcado pela presença constante de uma “sonoridade brônzea”, organizada através de um sofisticado sistema de códigos sonoros reconhecidos por seus habitantes. A salvaguarda do importante património sineiro, em território português – no qual identifica-se sinos datados desde o século XIII -, a preservação dos saberes relacionadas à prática de fundição, a relevância da recuperação e preservação dos toques manuais, o impacto da mecanização, a valorização do ofício de sineiro(a) e o debate sobre a cultura sineira portuguesa como património material e imaterial são alguns dos temas tratados por especialistas convidados no webinário O Património Sineiro Português, realizado pelo projeto PASEV – Patrimonialização da Paisagem Sonora de Évora, da Universidade de Évora, CESEM/UÉ, CIDEHUS, em 2021. Contou com o apoio da Direção Regional de Cultura do Alentejo – DRCA, Mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico Cultural/UÉ, Cátedra da UNESCO em Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional/UÉ, ICOMOS-Comissão Nacional Portuguesa.

Sino, Portugal

Sino, Portugal

Tarol, também reconhecido como caixa, tarola, caixa clara, caixeta clara ou, na língua inglesa, snare drum, designa um instrumento de percussão da classe dos bimembranofones. A sua estrutura fundamental consiste em um corpo cilíndrico de diâmetro reduzido, sobre o qual se estendem duas peles firmemente presas e tensionadas por meio de aros metálicos, permitindo a afinação desejada.

A sonoridade singular do tarol provém de uma esteira, tipicamente metálica, constituída por um conjunto de finas molas de arame ou, em algumas variações, fitas metálicas. Esta esteira é posicionada de forma a estar em contacto direto com a superfície inferior da pele. Quando a pele superior é percutida com baquetas, a vibração resultante atravessa o corpo do instrumento e atinge a pele inferior. A ressonância assim produzida faz com que a esteira vibre vigorosamente contra a pele, gerando o som seco, estalado e ritmicamente repicado que o caracteriza.

Historicamente, essa sonoridade marcante tem sido intrinsecamente ligada à cadência precisa e enérgica das marchas militares, onde seu papel na marcação do tempo é crucial para a sincronização dos movimentos. Contudo, o tarol transcendeu o contexto militar, tornando-se um elemento rítmico fundamental em inúmeros estilos musicais contemporâneos.

Tarol

Tarol

Caixa clara, também conhecida por outros nomes como caixa, tarola, tarol ou, internacionalmente, snare drum, representa um membro essencial da família dos tambores, especificamente classificado como um bimembranofone. Aa sua construção combina um corpo cilíndrico de proporções relativamente compactas com duas peles cuidadosamente fixadas e esticadas através de aros metálicos, permitindo o ajuste da tensão para afinação precisa.

O elemento distintivo que confere à caixa clara sua sonoridade peculiar é a presença de uma esteira, geralmente metálica, composta por um conjunto de finas molas de arame ou, por vezes, fitas de metal. Esta esteira é estrategicamente posicionada em contato direto com a superfície inferior da pele. Quando a pele superior é atingida por baquetas, a vibração resultante propaga-se através do corpo do tambor, alcançando a pele inferior. A ressonância gerada faz com que a esteira vibre de forma rápida e intensa contra a pele, produzindo o som seco, estalado e repicado que a caracteriza inconfundivelmente, um som historicamente associado ao ritmo marcante das marchas militares, onde sua precisão rítmica é fundamental para a coordenação dos passos. Além disso, a sensibilidade da esteira permite matizes dinâmicos e texturais exploradas em diversos géneros musicais modernos.

Caixa clara

Caixa clara

A tarola, também conhecida por diversos nomes como tarol, caixa, caixa clara ou, em inglês, snare drum, é um instrumento de percussão essencial, classificado como um bimembranofone. A sua construção básica consiste em um corpo cilíndrico de dimensões reduzidas, sobre o qual são fixadas e tensionadas duas peles através de aros metálicos.

A característica sonora distintiva da tarola reside na presença de uma esteira metálica, composta por um conjunto de pequenas molas de arame, que é posicionada em contato direto com a pele inferior. Quando a pele superior é percutida com baquetas, a vibração resultante é transmitida à pele inferior. Essa vibração, por sua vez, faz com que a esteira metálica ressoe e vibre contra a pele, produzindo o som repicado e estalado.

Essa sonoridade peculiar torna a tarola um instrumento fundamental em diversos contextos musicais. É particularmente proeminente em marchas militares, onde seu ritmo preciso e incisivo confere cadência e energia às tropas. O som da tarola também é crucial em bandas marciais e fanfarras, fornecendo a base rítmica para as melodias dos metais e outros instrumentos de sopro.

Além do seu papel em contextos militares e cerimoniais, a tarola é um componente indispensável na bateria moderna, presente em inúmeros estilos musicais, do rock ao jazz, passando pelo pop e muitos outros. Na bateria, a tarola é frequentemente utilizada para marcar o contratempo e acentuar ritmos, adicionando dinâmica e complexidade às performances. A possibilidade de controlar a tensão da esteira permite aos bateristas variar a intensidade e a nitidez do som repicado, explorando uma ampla gama de texturas sonoras. Em suma, a tarola é um instrumento versátil e de grande impacto, cuja sonoridade única a torna um pilar da percussão em diversas tradições musicais.

Tarola

Tarola

A lira, cognata do inglês “lyre”, é um cordofone de beleza singular, facilmente reconhecível por seu formato distinto. Caracteriza-se por dois braços verticais de madeira que se elevam de uma caixa de ressonância inferior, unindo-se no topo por uma travessa horizontal. Desta travessa, estendem-se cordas até a base da caixa de ressonância, prontas para serem dedilhadas e vibrar, produzindo melodias suaves e etéreas.

Na rica tapeçaria da mitologia grega, a lira ocupa um lugar de honra, sendo o instrumento de Apolo, o deus das artes, da música, da poesia e da luz. Essa associação divina elevou a lira a um patamar simbólico, tornando-a um emblema da própria música dentro da cultura ocidental. Sua imagem evoca tempos antigos, serenatas sob a luz da lua e a declamação de versos por poetas e menestréis.

A construção da lira, com sua estrutura aberta e elegante, reflete a delicadeza de seu som. As cordas, tradicionalmente feitas de materiais naturais como tripas de animais, eram tensionadas entre a travessa e a caixa de ressonância, permitindo uma variedade de notas dependendo do número de cordas e da afinação. A técnica de execução envolvia o dedilhar das cordas com os dedos de uma ou ambas as mãos, criando harmonias simples, mas expressivas.

Ao longo da história, a lira passou por diversas transformações em termos de materiais, número de cordas e formato, mas a sua essência como um instrumento portátil e melodioso permaneceu. Embora não seja um instrumento comum na música contemporânea, a sua influência perdura, seja em representações artísticas, na literatura ou como um símbolo da herança musical clássica. 

Lira

Lira

Lira-Viola, também chamada Viola bastarda, é uma guitarra em forma de lira fabricada no século XIX que fazia o contraponto à melodia principal.

A sua construção, com o corpo a evocar as curvas clássicas da lira, certamente lhe conferia uma estética distinta. As cordas, dispostas ao longo do braço trastejado como numa guitarra, permitiam ao músico dedilhar ou rasgar acordes e melodias que se entrelaçavam com a voz principal ou com outros instrumentos.

A designação “bastarda” pode sugerir um papel secundário, mas a verdade é que o contraponto é essencial para a riqueza e a complexidade da música. 

ETIQUETAS

  • Instrumentos caídos em desuso
  • Instrumentos inventados no século XIX
  • Instrumentos começados por l
Lira-viola

Lira-Viola

Celesta (do francês “Céleste”), é um instrumento de percussão com teclado desenvolvido no século XIX, exteriormente parecido com um piano vertical ou um harmónio. Contém lâminas de metal percutidas por martelos e pedais para atenuar ou prolongar o som.

Ao serem acionadas, as teclas levantam pequenos martelos que percutem as lâminas metálicas, produzindo um som cristalino e delicado. Pedais permitem ao músico controlar a duração e a intensidade das notas, atenuando-as ou prolongando o seu eco.

Inventada em 1886 pelo parisiense Alphonse Mustel, a celesta rapidamente conquistou o mundo da música. A sua estreia em grande palco ocorreu em 1892, quando o genial compositor russo Tchaikovsky a introduziu na sua célebre suite “O Quebra-nozes”, imortalizando a sua sonoridade única na “Dança da Fada do Açúcar”. 

Celesta

Celesta

Virginal é um instrumento de tecla e corda beliscada com origens no saltério, mais antigo e mais pequeno do que o cravo, foi muito popular em Inglaterra na segunda metade do século XVI. Os virginais eram instrumentos magnificamente decorados.

A sua mecânica interna, embora mais simples que a do cravo, permitia a execução de melodias líricas e harmonias suaves, perfeitas para a música da época. Uma das características notáveis dos virginais era a sua beleza estética. Eram frequentemente decorados com pinturas elaboradas, incrustações preciosas e detalhes ornamentais, refletindo o gosto refinado dos proprietários e transformando-os em verdadeiras obras de arte, além da sua função musical.

O virginal desempenhou um papel importante na vida musical da Inglaterra elisabetana, sendo utilizado tanto para entretenimento privado como em pequenas reuniões musicais. A sua sonoridade íntima e a sua beleza visual faziam dele um objeto de desejo e um símbolo de cultura e sofisticação. 

ETIQUETAS

  • Cordofones de tecla
  • Instrumentos de corda beliscada
  • Instrumentos obsoletos
Virginal

Virginal