A esquila é em Trás-os-Montes e no Alentejo um chocalho de pequenas dimensões (idiofone de percussão), destinado a ovelhas e cabras, enquando os chocalhos, com formato diferente e tamanho maior são destinados a animais de corpatura maior como vacas e cavalos.
José Varzeano, de Alcoutim (Algarve, que confina com o Alentejo) apresenta a seguinte definição:
“A configuração da esquila assemelha-se mais a um sino do que a um chocalho, pois a “boca” é mais larga que a parte restante, enquanto no chocalho, é de uma maneira geral igual ou mais estreita. A liga do material de que é feito também é diferente da utilizada nos chocalhos. As esquilas que são, de uma maneira geral, de pequenas dimensões, utilizam-se em animais de menor corporatura como o gado caprino ou ovino e nos guias. O seu toque característico identifica o local onde se encontram. Enquanto nos chocalhos os badalos constituem normalmente peças de madeira (azinho), aqui são redondos e do mesmo metal.”
Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. É um idiofone percutido de altura indefinida. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida.
ETIQUETAS
Instrumentos tradicionais de Portugal
Idiofones de percussão
Instrumentos começados por e
esquila Fosca nº 1 dos Chocalhos Pardalinho
esquila, pequeno chocalho, em Trás-os-Montes, Alentejo e Espanha
Reciclanda, música e instrumentos sustentáveis
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança, o bem estar dos seniores e a capacitação de profissionais.
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https://www.musis.pt/wp-content/uploads/2020/08/esquilas-alcacovas-viana-do-alentejo-tras-os-montes.jpeg400400António Ferreirahttp://musis.pt/wp-content/uploads/2022/05/cropped-musis-logo-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-08-15 18:48:212025-04-21 13:45:48Esquila, Portugal
O chocalho de Alcáçovas é um instrumento de percussão munido de um só batente interno, com altura que varia entre 2 e 50 cm. Também definido como sino, ou campana, o chocalho é habitualmente suspenso no pescoço do gado, com a ajuda de uma correia em couro cravejada e trabalhada, com o intuito de localizar e dirigir o gado.
Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida. É um idiofone percutido sem intenção melódica (de altura indefinida).
A produção de chocalhos é uma arte milenar, que tem no território alentejano a maior expressão a nível nacional, com especial destaque para a Vila de Alcáçovas, do concelho de Viana do Castelo, distrito de Évora. Não sendo possível datar de maneira exata o início desta arte na vila de Alcáçovas, sabe-se que por volta do século XVIII era a principal indústria tradicional da vila, e que desde então o processo de fabrico e as ferramentas utilizadas para a construção destes utensílios continua a ser praticamente o mesmo.
A produção destes artefactos é completamente artesanal e exige uma técnica complexa. Nas grandes chapas de folha de Flandres (material laminado, constituído por ferro e aço), talham-se os chocalhos, conforme o tamanho ou a qualidade que se deseja. Estas folhas levam quatro golpes em sentido inverso, e mais tarde são encaixadas e enroladas de modo a ficarem com o molde do chocalho, que depois é debruado com pequenas tiras de folha. A seguir, é aberto um furo, ao alto, onde é colocado o céu, ou gancho que mais tarde irá segurar o badalo (peça oscilante que faz soar o chocalho). Procede-se à colocação da asa e fixa-se com pregos os brasões ou as marcas, que foram previamente cortadas em chapa de ferro preta e que funcionam como a assinatura do seu artesão ou da casa agrícola que fez a encomenda. Numa superfície plana amassa-se barro misturado com cisco e moínha (fragmentos de palha de trigo) que irá servir para envolver todo o chocalho (embarrar o chocalho), dentro do qual se colocaram previamente uns pedaços de metal. Com um ferro, abre-se uma pequena abertura no barro para servir de respiradouro. Após todo este processo coloca-se o chocalho numa forja, até atingir um estado de incandescência, momento em que o ferro, com um ponto de fusão mais baixo que o do cobre e do bronze, funde-se cobrindo todo o chocalho (impregnando o ferro), ficando assim a marca e o “brasão” colados e em relevo. Depois de retirado da forja, este é saracoteado num chão liso, e metido em água para arrefecer por completo e para que o chocalho tome a cor acobreada. Depois de todos estes passos é retirado o barro do chocalho, e procede-se à afinação através de uma série de marteladas macias no interior do debrum, nas quais o artesão procura encontrar um som mais agradável, claro, límpido e ressoante. É uma operação delicada onde o mestre artesão aplica a parte artística da sua obra. Por último, coloca-se o badalo, uma pequena parte da folha cortada em triângulo, que depois de enrolada com umas marteladas, fica com uma cabeça própria.
Desde o século XX, a procura de chocalhos tem vindo a diminuir, com o aparecimento das cercas e chips para controlo e proteção dos animais em pastagem. A redução da procura associada à dureza inerente da atividade de construção destes artefactos, provocou uma diminuição drástica de artesãos dedicados a esta arte, colocando-a em risco de extinção. Em dezembro de 2015 o fabrico de chocalhos foi classificado como Património Imaterial da UNESCO. Este reconhecimento veio dinamizar a procura de chocalhos de Alcáçovas que são agora vendidos principalmente para fins decorativos e para colecionadores, sobretudo estrangeiros.
Os poucos mestres artesãos existentes dinamizam esta riqueza deixada pelos antepassados, e incentivam outros a continuar com a produção destas peças que criam uma paisagem sonora única e característica.
chocalhos de Alcáçovas, Viana do Alentejo, Portugal
Reciclanda, música e instrumentos para um planeta sustentável
Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.
https://www.musis.pt/wp-content/uploads/2020/08/chocalhos-de-alcacovas-viana-do-alentejo.jpeg400400António Ferreirahttp://musis.pt/wp-content/uploads/2022/05/cropped-musis-logo-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-08-15 15:09:292024-11-24 13:26:47Chocalhos de Alcáçovas
A ronca é o instrumento musical que acompanha os cantos de Natal em Elvas. membranofone de fricção constituído por uma estrutura cilíndrica com uma pele esticada numa das aberturas. É friccionado por uma cana fixada no centro da membrana. O executante, com a mão molhada, fricciona a cana fazendo vibrar a pele e produzir um ronco. Existe, com muitas designações (ronca, zamburra, zambomba, na Europa, África e América do Sul.
Luís pedras é, atualmente, o único artesão em Elvas a manter o fabrico de Roncas, numa cidade que já teve uma comunidade de oleiros e ceramistas (ainda existe a rua dos Oleiros). Foi introduzido na profissão de oleiro através de formações em cerâmica.
A ronca é o instrumento musical que acompanha os cantos de Natal em Elvas. Os homens juntam-se nos espaços públicos em grupos informais. Cada um com a sua, tocam em conjunto e cantam à vez, improvisando sobre uma base poética tradicional.
Em Elvas, as roncas guardam-se em casa e só são usadas perto do natal. “As roncas não se emprestam” é um provérbio de Elvas que avisa quem empresta a sua ronca de que corre o risco que a devolvam danificada e imprópria para os cantes de natal.
O Fabrico
Cerâmica
Prepara-se a péla, pedaço de barro limpo, bem decantado, selecionado pela sua elasticidade, amassando até estar pronto para ser trabalhado. O barro era tradicionalmente extraído do Barreiro do Monte de Alcobaça, perto de Elvas. Hoje é adquirido comercialmente. Leva-se a péla para a roda de oleiro, onde, com as mãos e a ajuda da cana d’oleiro, se molda o recipiente de barro que serve de caixa-de-ressonância ao instrumento. Este recipiente tem uma forma de base cilíndrica com as duas extremidades abertas. Numa das extremidades molda-se um rebordo, que ajudará a manter a membrana fixa. Este recipiente tem uma forma mais abaulada (feminina) ou mais direita (masculina) por escolha do artesão. O interior do recipiente é estriado para melhorar a qualidade sonora. A parede exterior é marcada por uma sequência de desenhos feitos com a ponta da cana de oleiro no barro fresco, enquanto o objeto gira na roda. Os desenhos imprimem a marca decorativa distintiva do artesão.
Uma vez moldado, o recipiente é deixado a secar até estar pronto para a cozedura em forno.
No forno, o barro é cozido numa lenta sequência ascendente de temperaturas. O forno é o juiz , diz Luís, realçando que a presença de pequenos defeitos no barro (como bolhas de água) marcarão as peças. Aos 300ºc a água começa a libertar-se do barro. Aos 600ºc o barro seca. A partir dos 900ºc termina a primeira cozedura do barro (Chacota) e inicia-se a segunda cozedura (Vidragem) que torna a peça impermeável e lhe dá a sonoridade. Este artesão fixa a temperatura final do forno (elétrico) em 1009ºc e aconselha que a sequência descendente da temperatura deve ser feita também lentamente para evitar problemas nas cozeduras das peças.
Fonte: Memoriamedia.net
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Membranofones de fricção
Reciclanda, música e instrumentos para um planeta sustentável
Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.
https://www.musis.pt/wp-content/uploads/2020/08/ronca-de-elvas_elvas-news.jpeg400400António Ferreirahttp://musis.pt/wp-content/uploads/2022/05/cropped-musis-logo-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-08-14 22:35:392024-11-24 13:31:58Ronca de Elvas, Portugal