Instrumentos musicais de todo o continente africano

Guembri é um instrumento de três cordas de tamanho semelhante à guitarra, tradicional da Argélia. Possui um corpo geralmente retangular ou trapezoidal, construído tradicionalmente a partir de um tronco oco coberto por uma pele esticada, que atua como uma membrana vibratória.

O braço longo e sem trastes permite a execução de microtons e glissandos, importantes na música tradicional argelina. As três cordas, historicamente feitas de tripa animal e modernamente de nylon, são afinadas em intervalos específicos e vibradas pelos dedos do исполнитель.

O som característico do guembri é profundo e ressonante, com uma qualidade percussiva devido à membrana de pele. É um instrumento fundamental em diversas tradições musicais argelinas, desempenhando um papel crucial em rituais e celebrações, onde a sua sonoridade única contribui para a atmosfera e a expressividade da música. A sua construção artesanal e a sua sonoridade distintiva fazem do guembri um importante elemento do património cultural da Argélia.

Situa-se no índice 32 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos.

É um cordofone composto, instrumento de corda que tem caixa de ressonância como parte integrante e indispensável.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Argélia
  • Cordofones do tipo alaúde
  • Instrumentos começados por g
Guembri, Norte de África

Guembri, Norte de África

Sansa, também conhecida por diversos nomes como kisanji, quissange, mbira, kalimba ou piano de polegares, é um idiofone beliscado originário de África. Este instrumento musical único é caracterizado por lamelas metálicas flexíveis, fixadas sobre uma caixa de ressonância retangular, geralmente feita de madeira.

O som da sansa é produzido ao beliscar as extremidades livres das lamelas com os polegares (ou ocasionalmente outros dedos), causando a sua vibração. O comprimento e a tensão de cada lamela determinam a altura da nota produzida, permitindo a execução de melodias e harmonias. A caixa de ressonância amplifica o som suave e melódico das lamelas, conferindo-lhe corpo e projeção.

Tradicionalmente, as sansas eram construídas com materiais locais, como madeira esculpida e lâminas de metal reciclado. A sua portabilidade e a doçura do seu som fizeram dela um instrumento popular para acompanhamento vocal, narração de histórias e entretenimento pessoal em diversas culturas africanas, incluindo Angola, de onde se originou. A sansa continua a ser apreciada pela sua simplicidade, beleza sonora e significado cultural.

Encontra-se no índice 12 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais.

Sanza, Angola

Sanza

ETIQUETAS

  • Pianos de polegares
  • Idiofones beliscados
  • Instrumentos começados por s

Rumba box é um lamelofone dedilhado tradicional da República Dominicana, com semelhanças marcantes com a marímbula cubana e, por extensão, com a marimba em termos do princípio de produção sonora. Este instrumento consiste numa caixa de ressonância, geralmente de madeira, sobre a qual são fixadas lamelas metálicas flexíveis de diferentes comprimentos.

O som característico da rumba box é produzido ao dedilhar estas lamelas com os dedos, fazendo-as vibrar e produzir notas distintas. O tamanho e a espessura das lamelas determinam a altura do som, permitindo a execução de melodias e linhas de baixo rítmicas. A caixa de ressonância amplifica o som produzido pelas vibrações das lamelas, conferindo-lhe volume e timbre.

Na República Dominicana, a rumba box desempenha um papel fundamental em diversas formas de música tradicional, incluindo a própria rumba e outros géneros folclóricos. É frequentemente utilizada para fornecer a base rítmica e harmónica, funcionando de forma semelhante ao contrabaixo em outros conjuntos musicais. A sua sonoridade única e a sua portabilidade tornam-na um instrumento essencial nas celebrações e expressões culturais da ilha.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Jamaica
  • Instrumentos da América Central
  • Família dos lamelofones dedilhados
  • Instrumentos começados por r
Rumba box, Jamaica

Rumba box, Jamaica

Agbê

Agbê, também conhecido como abê ou sekere (na grafia Yoruba), é um idiofone de fricção com raízes profundas no continente africano, desempenhando um papel significativo nas tradições musicais e rituais de diversas culturas. A sua construção engenhosa e a sua sonoridade versátil tornam-no um instrumento distintivo e expressivo. Essencialmente, o agbê é composto por uma cabaça seca, cuidadosamente preparada através de um corte preciso na extremidade próxima ao pedúnculo. Esta cabaça serve como corpo ressonante do instrumento.

A característica definidora do agbê é a rede de contas que o envolve externamente. Esta rede, geralmente feita de sementes, pequenas conchas (como os búzios) ou contas de plástico, é trançada de forma a cobrir a superfície da cabaça. Ao longo de África, o instrumento adquire diferentes denominações, refletindo a rica diversidade linguística e cultural do continente. Exemplos incluem lilolo, xequere (uma variante comum), e axatze (utilizado no Gana). Na Nigéria, a designação predominante é shekere.

A forma e o tamanho da cabaça utilizada na construção do agbê são determinantes para o timbre e o volume do som produzido. Cabaças maiores tendem a gerar sons mais graves e com maior ressonância, enquanto cabaças menores produzem sons mais agudos e estalados. O processo de fabricação de um xequere, uma das designações frequentes, é meticuloso e demorado. As cabaças são selecionadas e deixadas a secar naturalmente durante vários meses, um passo crucial para garantir a sua durabilidade e qualidades sonoras. Após a secagem completa, a polpa e as sementes são cuidadosamente removidas do interior, deixando a cabaça oca e pronta para receber a rede de contas.

A técnica de execução do agbê explora a interação entre a cabaça e a rede de contas. O músico pode produzir sons de raspagem rítmica ao friccionar a rede contra a superfície da cabaça, ou obter sons percussivos mais secos e definidos ao golpear diretamente a cabaça com as mãos. A combinação destas técnicas permite a criação de padrões rítmicos complexos e texturas sonoras interessantes. No Brasil, o agbê encontrou um lugar de destaque em manifestações culturais e religiosas de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, e também enriquece a percussão de géneros musicais populares como o maracatu e o samba, demonstrando a sua adaptabilidade e a sua rica herança sonora.

Situa-se no índice 13. do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Nestes idiofones, o som produz-se por fricção ou raspagem.

ETIQUETAS

  • Instrumentos tradicionais de África
  • Idiofones de fricção
  • Instrumentos começados por a
Agbê

Agbê

Reciclanda, instrumentos sustentáveis

Reciclanda, música e instrumentos para um planeta sustentável

Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.

Xekere é um idiofone tradicional de percussão indireta, caracterizado pela sua sonoridade única produzida pela fricção de uma rede de contas que envolve o exterior de uma cabaça seca.

Originário de África, particularmente da Nigéria, onde é conhecido pelo seu nome na língua Yoruba, “sekere”, este instrumento possui diversas denominações ao longo do continente, como abê, agbê e axatze, refletindo a sua ampla presença e adaptação cultural.

A construção do xekere inicia-se com a seleção de uma cabaça, que é então seca durante um período prolongado, geralmente vários meses, para garantir a sua completa desidratação e resiliência. Após a secagem, a polpa e as sementes são removidas do interior, deixando a cabaça oca, que atuará como corpo ressonante do instrumento. A etapa seguinte e crucial é o envolvimento da cabaça com uma rede de contas, tradicionalmente feitas de sementes, búzios ou, modernamente, de plástico. Esta rede é cuidadosamente ajustada para permitir a produção do som desejado.

A técnica de execução do xekere envolve principalmente a manipulação da rede de contas em contato com a superfície da cabaça. Ao friccionar ou agitar a rede, as contas colidem com a cabaça, gerando um som de raspagem rítmico e característico. Adicionalmente, o tocador pode obter sons percussivos diretos ao golpear a própria cabaça com as mãos, produzindo timbres mais secos e abafados. A combinação destas técnicas permite a criação de padrões rítmicos complexos e texturas sonoras interessantes, tornando o xekere um instrumento versátil e expressivo em diversos contextos musicais, tanto tradicionais africanos quanto em fusões contemporâneas. No Brasil, o xekere (ou abê/agbê) é um elemento fundamental em manifestações culturais e religiosas de matriz africana, como o candomblé e o maracatu, enriquecendo a sua percussão com a sua sonoridade singular.

Situa-se no índice 13. do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Nestes idiofones, o som produz-se por fricção ou raspagem.

ETIQUETAS

  • Instrumentos tradicionais de África
  • Idiofones de raspagem
  • Instrumentos começados por x
Xekere

Xekere

Valiha é um cordofone tradicional de Madagáscar, considerado o instrumento nacional do país, com uma forma que lembra a de uma cítara tubular. Historicamente, era frequentemente construído a partir de um único segmento de bambu, com as cordas sendo lascas elevadas da própria superfície do bambu, sustentadas por pequenas pontes de cabaça ou madeira que também serviam como afinadores móveis. Nos modelos modernos, é comum o uso de cordas de metal, como fios de guitarra ou cabos de travão de bicicleta desfiados, fixadas através de pregos e afinadas por cravelhas.

O valiha é tocado dedilhando as cordas com os dedos, produzindo um som suave e melódico. O número de cordas pode variar, mas geralmente situa-se entre 21 e 24. Tradicionalmente associado à região de Imerina, nas terras altas centrais de Madagáscar, o valiha é hoje tocado em todas as regiões da ilha e está presente em diversos estilos musicais malgaxes, desde o tsapiky do sul ao salegy do norte e ao kalon’ny fahiny das terras altas.

Além do seu papel na música recreativa, o valiha possui um significado cultural profundo em Madagáscar. Historicamente, ter unhas longas, ideais para dedilhar as cordas, era um símbolo de distinção da aristocracia. O instrumento também é utilizado em contextos rituais para invocar espíritos e em cerimónias religiosas. Considerado um símbolo da música malgaxe, o valiha continua a ser um instrumento vibrante e essencial na expressão cultural de Madagáscar, com músicos talentosos como Rajery e Justin Vali a levá-lo a palcos internacionais.

Nos instrumentos da categoria “cordofone”, o som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas em tensão.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais de Madagáscar
  • Instrumentos de corda dedilhada
  • Instrumentos começados por v
Valiha, Madagáscar

Valiha, Madagáscar

Udu é um instrumento de percussão direta tradicional de África, notável pela sua forma única e pela sonoridade peculiar que produz. Essencialmente, o udu é um vaso de cerâmica, artisticamente moldado e cozido, que se distingue por possuir dois orifícios distintos em sua estrutura. Estes orifícios, geralmente de tamanhos diferentes, desempenham um papel crucial na produção do som característico do instrumento. A palavra “udu” tem origem na língua Igbo da Nigéria e significa “vaso” ou “recipiente”.

A técnica de execução do udu envolve a percussão direta da superfície do vaso com as mãos e os dedos. No entanto, a singularidade do udu reside na utilização alternada dos seus dois orifícios durante a performance. Ao cobrir e descobrir um dos orifícios enquanto se percute o corpo do vaso ou o outro orifício, o tocador manipula o fluxo de ar dentro da cavidade cerâmica, criando variações tonais e efeitos sonoros distintos. Esta interação com o ar ressonante dentro do vaso produz um som grave, oco e com uma qualidade ecoante, que lembra o gotejar da água ou batimentos cardíacos profundos.

Embora as suas origens se encontrem nas tradições musicais e rituais da Nigéria, o udu ganhou reconhecimento e apreciação em diversas culturas musicais ao redor do mundo. A sua sonoridade terrosa e misteriosa o torna um instrumento atraente para músicos de diferentes géneros, incluindo a música ambiente, o jazz, a música clássica contemporânea e a world music. A sua beleza estética como objeto de cerâmica, aliada à sua capacidade sonora única, confere ao udu um lugar especial entre os instrumentos de percussão, transcendendo as suas origens africanas e inspirando novas formas de expressão musical. A sua simplicidade estrutural contrasta com a riqueza de possibilidades sonoras que oferece ao músico criativo.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais de África
  • Instrumentos começados por u
Udu

Udu

Tsenatsil é um idiofone de agitamento, intimamente aparentado ao sistro, que desempenha um papel significativo nas cerimónias litúrgicas da Igreja Copta Ortodoxa na Etiópia. Tal como o seu parente mais conhecido do Antigo Egito, o tsenatsil consiste numa estrutura, geralmente em forma de U ou ferradura, feita de metal, à qual são presas pequenas placas ou discos metálicos móveis, geralmente em forma de anéis ou pequenos sinos. Estas peças soltas são capazes de vibrar e produzir um som característico quando o instrumento é agitado.

A estrutura metálica do tsenatsil pode ser decorada com gravuras ou desenhos simbólicos, refletindo a sua importância religiosa. O tamanho e o material do instrumento podem variar ligeiramente, mas o princípio sonoro permanece o mesmo: o movimento das peças metálicas entre si e contra a estrutura principal gera um som rítmico, metálico e tilintante. A intensidade e o ritmo do som produzido dependem da forma como o instrumento é agitado pelo tocador, permitindo uma variedade de expressões rítmicas dentro do contexto cerimonial.

No contexto das cerimónias da Igreja Copta Etíope, o tsenatsil é frequentemente utilizado para marcar o ritmo dos cânticos e das orações, acompanhando os movimentos litúrgicos e enfatizando momentos importantes do serviço religioso. A sua sonoridade distinta contribui para a atmosfera solene e espiritual das celebrações, criando uma ligação sonora com as tradições ancestrais e a história da fé copta na Etiópia. A sua semelhança com o sistro egípcio sublinha as profundas raízes históricas e culturais que ligam a Igreja Copta às antigas tradições do Vale do Nilo. O tsenatsil não é apenas um instrumento musical, mas um objeto litúrgico com um significado simbólico e funcional dentro do culto copta etíope.

É um idiofone percutido sem intenção melódica (é de altura indefinida). Na categoria 1 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, o som é produzido primariamente pela vibração do corpo do instrumento ou por alguma de suas partes, mas esta vibração deve-se à própria elasticidade do material, sem tensão adicional nem cordas, membranas ou colunas de ar.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Etiópia
  • Família dos sistros
  • Instrumentos começados por t
Tsenatsil, Etiópia

Tsenatsil, Etiópia

Soku é um cordofone tradicional de uma única corda friccionada, originário do sudoeste do Mali. É um instrumento musical relativamente simples em sua construção, mas com um som característico e um papel cultural significativo na região.

O corpo do Soku é geralmente feito de uma cabaça ou de uma pequena caixa de madeira. Uma única corda, tradicionalmente feita de fibra vegetal ou, mais modernamente, de fio de metal, estende-se ao longo do corpo. Uma das extremidades da corda é fixada ao corpo, enquanto a outra passa sobre uma pequena ponte e é tensionada por uma cravelha de afinação.

O Soku é tocado friccionando a corda com um arco curto, geralmente feito de madeira e crina de cavalo. A altura do som é alterada pressionando a corda contra o corpo do instrumento com os dedos da mão esquerda. Como possui apenas uma corda, a melodia é criada através da variação da altura dessa única corda, explorando diferentes harmónicos e técnicas de arco.

A sonoridade do Soku pode variar dependendo do tamanho da caixa de ressonância e do material da corda, mas geralmente produz um som melancólico e ressonante. É frequentemente utilizado em apresentações solo ou em pequenos conjuntos, acompanhando canções e narrativas tradicionais da região do sudoeste do Mali. Embora possa não ser amplamente conhecido fora da sua área de origem, o Soku representa uma parte importante do património musical e cultural do Mali.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais do Mali
  • Instrumentos de corda friccionada
  • Cordofones de arco
  • Instrumentos começados por s
Soku, Mali

Soku, Mali

Washint é uma flauta aberta tradicionalmente feita de madeira ou bambu, profundamente enraizada nas culturas dos povos Amhara e Tigray na Etiópia e Eritreia, no nordeste de África. Este aerofone simples, mas expressivo, é caracterizado por ter tipicamente seis orifícios para os dedos, apesar da menção inicial de quatro, o que permite ao músico produzir uma gama melódica considerável dentro das escalas tradicionais da região.

A construção do Washint envolve um tubo reto, oco, com uma extremidade aberta para soprar e os orifícios para os dedos dispostos ao longo do seu comprimento. Não possui um bocal definido como uma flauta de bisel; o som é produzido direcionando o sopro do músico sobre a borda afiada da abertura superior. A habilidade do tocador reside no controlo preciso da embocadura e na manipulação dos dedos para criar diferentes notas e nuances musicais.

O Washint desempenha um papel importante na música folclórica e tradicional da Etiópia e da Eritreia. É frequentemente utilizado em celebrações, festivais e outras ocasiões sociais, acompanhando cantos e danças. A sua sonoridade pode variar de um tom suave e melancólico a um som mais brilhante e alegre, dependendo da técnica do instrumentista e do contexto musical.

A aprendizagem do Washint começa muitas vezes em idade precoce para os jovens etíopes, sendo transmitida de geração em geração como parte da sua herança cultural. Músicos como Yohannes Afework, um membro proeminente da Orquestra Etiópia dos anos 1960, e Animut Kinde são reconhecidos como virtuosos do instrumento, tendo contribuído para a sua popularização e para a preservação das tradições musicais associadas ao Washint.

ETOIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Etiópia
  • Aerofones de aresta
  • Família das flautas
  • Instrumentos começados por w

Washint, flauta, Etiópia