Agbê

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Agbê, também conhecido como abê ou sekere (na grafia Yoruba), é um idiofone de fricção com raízes profundas no continente africano, desempenhando um papel significativo nas tradições musicais e rituais de diversas culturas. A sua construção engenhosa e a sua sonoridade versátil tornam-no um instrumento distintivo e expressivo. Essencialmente, o agbê é composto por uma cabaça seca, cuidadosamente preparada através de um corte preciso na extremidade próxima ao pedúnculo. Esta cabaça serve como corpo ressonante do instrumento.

A característica definidora do agbê é a rede de contas que o envolve externamente. Esta rede, geralmente feita de sementes, pequenas conchas (como os búzios) ou contas de plástico, é trançada de forma a cobrir a superfície da cabaça. Ao longo de África, o instrumento adquire diferentes denominações, refletindo a rica diversidade linguística e cultural do continente. Exemplos incluem lilolo, xequere (uma variante comum), e axatze (utilizado no Gana). Na Nigéria, a designação predominante é shekere.

A forma e o tamanho da cabaça utilizada na construção do agbê são determinantes para o timbre e o volume do som produzido. Cabaças maiores tendem a gerar sons mais graves e com maior ressonância, enquanto cabaças menores produzem sons mais agudos e estalados. O processo de fabricação de um xequere, uma das designações frequentes, é meticuloso e demorado. As cabaças são selecionadas e deixadas a secar naturalmente durante vários meses, um passo crucial para garantir a sua durabilidade e qualidades sonoras. Após a secagem completa, a polpa e as sementes são cuidadosamente removidas do interior, deixando a cabaça oca e pronta para receber a rede de contas.

A técnica de execução do agbê explora a interação entre a cabaça e a rede de contas. O músico pode produzir sons de raspagem rítmica ao friccionar a rede contra a superfície da cabaça, ou obter sons percussivos mais secos e definidos ao golpear diretamente a cabaça com as mãos. A combinação destas técnicas permite a criação de padrões rítmicos complexos e texturas sonoras interessantes. No Brasil, o agbê encontrou um lugar de destaque em manifestações culturais e religiosas de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, e também enriquece a percussão de géneros musicais populares como o maracatu e o samba, demonstrando a sua adaptabilidade e a sua rica herança sonora.

Situa-se no índice 13. do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Nestes idiofones, o som produz-se por fricção ou raspagem.

ETIQUETAS

  • Instrumentos tradicionais de África
  • Idiofones de fricção
  • Instrumentos começados por a
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Reciclanda é um conceito musical inovador que contribui para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e das metas de reciclagem de embalagens, promovendo a sustentabilidade desde idade precoce até idade avançada através da reutilização musical, com sessões, oficinas, formações e exposições. Promove o desenvolvimento global, a inclusão e a reabilitação a partir de eco-instrumentos, do ritmo, do jogo e das literaturas de tradição oral.