A charamela é instrumento musical que se encontra ligado à Terra de Miranda, uma vez que este era um dos instrumentos de maior relevo na banda de música, adida ao cabido aquando da sua existência, no tempo em que Miranda do Douro era Sede de Diocese.

Quando a Diocese se encontrava “na máxima força”, a banda de música adida ao poderoso cabido, tocava em todas as procissões realizadas na cidade de Miranda do Douro. Tinha a dita banda, músicos profissionais. A presença da charamela, do baixão, do baixinho e da sacabuxa, entre outros instrumentos da época, nessa banda, é relatada em textos atinentes à Sé de Miranda.

Com a ruína de Miranda, depois do ataque ao seu castelo e por conseguinte à cidade, levada a cabo por Espanha, o bispo e todos os funcionários clericais acabam por abandonar Miranda e estabelecem-se em Bragança. Com o desaparecimento do cabido, a dita banda de música é extinta.

O historiador António Rodrigues Mourinho identificou os documentos que mencionam os instrumentos utilizados pela banda, com especial destaque para os já mencionados. Não restando nenhum instrumento físico, o historiador, lança o desafio ao construtor de instrumentos, Célio Pires, para este conseguir criar uma charamela. Não existindo nenhum instrumento físico, a tarefa revelava-se particularmente difícil.

Ainda assim, o construtor aceita o desafio e após muita investigação, leitura de textos e alguma iconografia, consegue criar a primeira charamela. Considerando o instrumento importante, Célio Pires constrói uma segunda charamela e incorpora-a ao grupo de música original mirandesa Trasga, do qual é fundador, pela sua sonoridade e “casamento” perfeito com outros instrumentos usados naquele grupo, como a flauta de tamborileiro (fraita), a sanfona, a gaita de fole mirandesa, o rabel, entre outros.

Fonte: DRCN

É um instrumento de sopro do grupo 422 (no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais), um aerofone de palheta em que o músico sopra colocando a palheta em vibração.

ETIQUETAS

  • Instrumentos tradicionais de Portugal
  • Instrumentos de sopro
  • Aerofones portugueses
  • Instrumentos começados por c
Charamela, Miranda do Douro, Museu Terras de Miranda

Charamela, Miranda do Douro, Museu Terras de Miranda

MÚSICA E PINTURA

Western inhabitants of Madeira, in: “Picturesques review of costumes of portugueses“. P-Ln, D.A. f.19, álbum contendo 21 guaches de 21×32 cm.

Figura feminina

Western inhabitants of Madeira

Western inhabitants of Madeira

 

 

 

 

 

 

 

 

A marca-de-água, disseminada por várias folhas, é datável de 1829. No guache, são representadas duas figuras madeirense do séc. XIX; a feminina é típica, apresentando-se descalça mas com as chinelas na mão; o homem empunha um cordofone de mão.

Homem com cordofone de mão

Western inhabitants of Madeira

Western inhabitants of Madeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As características morfológicas do instrumento que podemos, sem errar designar dor uma uma Viola de mão/Viola franceza, são: a sua caixa em forma de oito, braço longo que termina num cravelhal rectangular em forma de pá, onde se vêem os orifícios de seis cravelhas dorsais (três de cada lado do cravelhal), mas sendo só visíveis as três do lado direito. Foram-lhe riscadas só cinco cordas, não coincidindo portanto com o número de cravelhas. A boca do instrumento, que é de grande dimensão, foi desenhada um pouco abaixo do seu lugar habitual (talvez devido à perspectiva do desenho). O cavalete, de forma rectangular, é rematado por aplique, cujo desenho é bastante parecido com o usados em algumas Viola, ditas francesas, desta época fabricadas em Paris e Londres entre 1813-1847 (Lacote e Parnormo, Francois Roudhloff, Mirecourt , ca. 1815, entre outros).