Tag Archive for: instrumentos musicais da Guiné-Bissau

Instrumentos da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau possui uma ricane diversificada tradição musical, fortemente ligada à cultura Mandinga, Fula, Balanta e de outras etnias da África Ocidental. Os seus instrumentos musicais, muitos dos quais partilhados com países vizinhos, são fundamentais no acompanhamento de cerimónias, danças (como o popular Gumbé) e no trabalho dos Griôs (contadores de histórias e guardiões da história oral).

Instrumentos de corda

Kora

Kora (ou corá) é a rainha dos instrumentos de corda da África Ocidental. É uma harpa-alaúde com 21 cordas, feita com uma grande cabaça (como caixa de ressonância) coberta com pele de vaca. É tocada tradicionalmente pelos Griôs (ou Djélis) Mandingas, que a utilizam para contar histórias épicas, genealogias e canções de louvor. É um instrumento melódico e muito virtuosístico.

Violão de 3 cordas

Instrumento de corda local, com apenas três cordas, é usado no acompanhamento de canções.

Instrumentos de percussão

(membranofones e idiofones)

A percussão é o coração do ritmo guineense, com uma grande variedade de tambores

Bombolom

É um idiofone de percussão direta (tambor de fenda), escavado a partir de um tronco de árvore (bissilon). Pode ter cerca de 1,5 m de comprimento. É percutido com baquetas e o som varia consoante o lado. É um instrumento ritual, sobretudo tocado por homens mais velhos, e requer uma pequena cerimónia para ser deslocado. É um instrumento de altura indefinida.

Djembê

(Tambor)

Um membranofone em forma de cálice, com corpo de madeira e pele natural tensionada, produz uma vasta gama de sons. Tocado com as mãos, é fundamental para o ritmo em muitas culturas da África Ocidental e muito importante na Guiné-Bissau.

Tina

Uma grande cabaça usada como caixa de ressonância, percutida com a palma da mão, produz um som grave e intenso. Desempenha o papel de marcar o baixo na secção rítmica do género musical Gumbé (similar a um bombo).

Dundun

Dundun, ou doundoun, é um tambor cilíndrico, geralmente de duas peles, percutido com baquetas. É um tambor de acompanhamento, crucial para manter a pulsação e fornecer a base rítmica para outros instrumentos.

Instrumentos melódicos de percussão

Balafon

Balafon ou balafom é o precursor do xilofone. Consiste numa série de teclas de madeira (lamelas) de diferentes tamanhos, dispostas sobre cabaças que funcionam como ressonadores. É tocado com duas baquetas almofadadas, e o conjunto ideal pode ser composto por três balafons (baixo, acompanhamento e solo). A sua afinação e técnica de tocar podem imitar os timbres e tonalidades da língua falada, sendo um instrumento de grande importância cultural.

Instrumentos de sopro

(aerofones)

Flauta

Feita tradicionalmente com cana de bambu, é utilizada em diversos contextos musicais.

Chifre

Instrumento feito com corno de animais (gazela ou vaca), funciona como uma trompa, sendo usado para sinais ou efeitos sonoros.

Calitó

Um tubo transversal feito com o caule do milho.

A música guineense, com esta instrumentação, reflete a sua diversidade cultural, sendo o Gumbé um dos géneros mais populares que agrupa vários estilos folclóricos e tradicionais do país.

Festival de Kora em Portugal

O primeiro festival de Kora em Portugal —Kora Fest— realizou-se na Fábrica do Braço de Prata,em 2019. Do programa faziam parte concertos, workshops para miúdos e graúdos e a estreia de um documentário sobre a história da harpa africana.

A Kora é um instrumento musical africano — uma harpa de 21 cordas — que ganhou popularidade durante a descrição de grandes batalhas ou acontecimentos na região do Rio Gâmbia, na Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali e Senegal.

Segundo o korista Mbye Ebrima, “A Kora é o mais importante instrumento de África Ocidental, é usado para comunicação e a gente de Portugal está a entender agora a conexão promovida por este som, que é física, mas também espiritual”.

Koras

Koras

Fonte: Gerador

Dundun (tal como dunun, doundoun ou djun djun) designa uma família de bimembranofones cilíndricos de percussão direta tradicional da África Ocidental. O maior dos tambores chama-se doundounba; o médio, sangban; e o menor, kenkeni.

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • Instrumentos começados por d

Doundumba é um unimembranofone tradicional da África Ocidental, o maior dos tambores da família dundum (ou djun dun). O médio, sangban; e o menor, kenkeni.

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • Instrumentos começados por d

Toncoron, também chamado wodo, é um cordofone de arco de três cordas, originário da etnia fula, Guiné-Bissau (África Ocidental). É utilizado nas festas e acompanha o contar de histórias. Encontra-se nas regiões de Bafatá e Gabú, no Leste do País.

Situa-se no índice 32 do sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos. É um cordofone composto, instrumento de corda que tem caixa de ressonância como parte integrante e indispensável. Nos instrumentos da categoria “cordofone”, o som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas tensionadas.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • Instrumentos de corda friccionada
  • Cordofones de arco
  • Instrumentos começados por t

Cutil é um tambor em forma de taça feito de madeira, revestida com pele de cabra, o tambor médio do chamado “tambor de Mandinga”, tradicional da Guiné-Bissau. O tambor de Mandinga é um instrumento musical usado pelas etnias Mandinga (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental), Fula (grupo étnico que compreende várias populações espalhadas pela África Ocidental) e Biafada (etnia que se encontra na Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia). É constituído por três tambores de tamanhos diferentes, cada um com o seu nome e som. O mais alto tem o nome de sabaro, que significa “cabeça do tambor”; o menor tem o nome de “cutildim“, que significa “tambor pequeno”. O instrumento é usado nas “djanbadon” (manifestações), casamentos, colheitas e cerimónias de divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • tambores em forma de taça
  • Instrumentos começados por c

Sabaro, que significa “cabeça do tambor” (também chamado “sarouba”) é um tambor em forma de taça feito de madeira com pele de cabra, tocado com pequeno bastão. Na Guiné-Bissau é o instrumento mais alto do conjunto chamado “tambor de Mandinga”. O tambor de Mandinga é um instrumento musical usado pelas etnias Mandinga, ou Mandinka (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental), Fula (grupo étnico que compreende várias populações espalhadas pela África Ocidental) e Biafada (etnia que se encontra na Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia). É constituído por três tambores de tamanhos diferentes, cada um com o seu nome e som. O tambor médio é chamado “cutil“; o menor tem o nome de “cutildim“, que significa “tambor pequeno”. O instrumento é usado nas “djanbadon” (manifestações), casamentos, colheitas e cerimónias de divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • tambores em forma de taça
  • Instrumentos começados por s

Ondam é um membranofone tradicional da etnia Papéis, na Guiné-Bissau (África Ocidental). É utilizado na cerimónia de toca-choro nas das balobas e dos balobeiros. O termo Baloba remete para a dimensão física do terreiro que simboliza o lugar onde as incorporadoras da ancestralidade, as Balobeiras, vivem nas matas sagradas e fazem as consultas espirituais. (Por dentro da África). O ondam é acompanhado por outros dois, um médio e outro agudo. Quem toca o maior, o principal, tem de conhecer a linhagem da pessoa falecida chamada do mundo dos mortos.Cada reino da etnia Papéis de Bissau tem este instrumento. O menor e mais agudo é chamado “bruntom” e marca o compasso no momento de toca-choro. Este instrumento não pode ser transportado de qualquer maneira: para se deslocar de um lado para outro tem que haver uma pequena cerimónia em que aguardente é derramada no chão como pedido de autorização às divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • Instrumentos começados por o

Sadjo (coco de manga) é um idiofone de agitação utilizado por toda a Guiné-Bissau (África Ocidental) e especialmente associado à mulher e à dança. Trata-se de um conjunto entre 10 e 15 sementes de manga secas, enfiadas num cordel e colocadas à volta do tornozelo para marcar e ampliar o ritmo. As sementes contêm no interior pedrinhas muito pequenas que foram colocadas com o objetivo de produzir sons. Os cocos de mango são usados em diversas festas populares em que participam homens e mulheres. Considerado corriqueiro e comum por ser de muito fácil construção, é um instrumento muito popular na Guiné-Bissau.

Colaboração: Wilson da Silva

Situa-se no índice 11 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. Os idiofones percutidos são postos em vibração por um golpe ou batida. É um idiofone percutido sem intenção melódica (é de altura indefinida).

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • Idiofones percutidos
  • Instrumentos começados por s

Ontambor é um membranofone tradicional da etnia Mancanha na Guiné-Bissau (África Ocidental). É usado em manifestações, festas das colheitas e empossamento dos régulos. Também é tocado na udance (dança tradicional mancanha), acompanhado pelo uneca.

Colaboração: Wilson da Silva

Situa-se no índice 21 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais, entre os tambores percutidos, instrumentos cuja membrana é posta em vibração ao ser batida ou percutida. 

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • tambores percutidos
  • tambores em forma de vaso
  • Instrumentos começados por o

Ontina é o nome dado na etnia manjacas à tina, também chamada tambor de água. É um instrumento musical utilizado na Guiné-Bissau (África Ocidental), na província, no norte, e nas cidades. Consiste em tambores cortados ao meio e cheio de água onde se coloca uma cabaça hemisférica que é percutida com as mãos. Instrumento muitas vezes associado à vida na cidade, a tina é utilizada em festas, casamentos e atividades recreativas de mandjuandades (pessoas da mesma idade) e a cerimónia de “choro” das pessoas idosas, que acontece uma semana após o funeral. É um instrumento de ressonância com um som cavo (“baixo zumbido”). Serve de base rítmica a canções e dançarinos, quase sempre acompanhada com palmas. De acordo com o Atlas dos Instrumentos da Guiné-Bissau, habitualmente é tocado por duas pessoas, sentadas ou agachadas, uma que toca com as mãos, abertas ou fechadas, em cima da cabaça, e outra que no recipiente (tanque) com duas baquetas de metal. O som ressoa na água.

Baseado em Manual de Apoio aos Cursos de Artes Performativas, Bissau

Colaboração: Wilson da Silva

  • Instrumentos musicais da Guiné-Bissau
  • Instrumentos começados por o