O oghene (ou ogene) é um idiofone de percussão originário da África Ocidental, particularmente associado aos povos Yoruba da Nigéria e Benim. É um instrumento relativamente simples na sua construção, mas com um papel rítmico importante na música tradicional e contemporânea da região.

Apresenta como principais características:

Construção: O oghene consiste tipicamente em um, dois ou mais sinos de ferro forjado, de tamanhos diferentes, unidos por uma haste ou alça também de metal. Os sinos não possuem badalo (a peça solta dentro do sino que produz o som ao bater nas paredes).

Produção de Som: O som é produzido ao percutir os sinos com uma baqueta de madeira ou metal. Os diferentes tamanhos dos sinos resultam em tons distintos, permitindo a criação de padrões rítmicos complexos.

Função Musical: O oghene desempenha um papel crucial na estrutura rítmica da música. Frequentemente, estabelece a linha do tempo ou o ciclo rítmico fundamental para outros instrumentos e cantores seguirem. É um instrumento de pulso e clave, marcando os acentos e as subdivisões do ritmo.

Utilização: O oghene é utilizado numa variedade de contextos musicais e sociais, incluindo:
música cerimonial e religiosa: Desempenha um papel importante em rituais tradicionais e cerimónias religiosas Yoruba.

Música de Dança: O seu ritmo vibrante e constante é essencial para acompanhar diversas formas de dança tradicional.

Conjuntos Musicais: É frequentemente integrado em grupos musicais maiores, onde interage com tambores (como o dùndún ou “talking drum”), agogôs (outro tipo de sino duplo), e outros instrumentos de percussão.

Música Popular Contemporânea: O som característico do oghene tem sido incorporado por músicos africanos contemporâneos em diversos géneros.

ETIQUETAS

  • Instrumentos tradicionais da Nigéria
  • Idiofones de metal
  • Instrumentos de campânula
Oghene, idiofone da Nigéria

Oghene, idiofone da Nigéria

Um baixo, no contexto de instrumentos musicais, refere-se a um instrumento de cordas com uma tessitura mais grave em comparação com outros instrumentos da sua família. A sua principal função na música é fornecer a fundação rítmica e harmónica, criando uma base para a melodia e outros instrumentos.

Existem principalmente dois tipos de baixos:

Baixo Elétrico: É o tipo mais comum e utilizado em diversos géneros musicais como rock, pop, jazz, funk, metal, entre outros. Possui um corpo sólido ou semi-sólido e utiliza captadores para converter a vibração das cordas em sinais elétricos, que são então amplificados através de um amplificador. Geralmente possui 4 cordas, afinadas em Mi, Lá, Ré e Sol (E-A-D-G), mas também existem modelos de 5, 6 ou mais cordas para uma extensão tonal maior.

Baixo Acústico (Contrabaixo): É um instrumento maior, com um corpo oco que amplifica o som das cordas acusticamente. É tradicionalmente utilizado na música clássica, jazz e alguns estilos de música tradicional. Pode ser tocado com um arco ou dedilhado. Possui geralmente 4 cordas e uma afinação similar à do baixo elétrico, mas uma oitava abaixo. Existem também versões elétricas do contrabaixo.

Entretanto são construídos outros baixos menos conhecidos, como o ukulelé baixo.

Ukulele baixo, foto The Nerd Bass

Ukulele baixo, foto The Nerd Bass

Além destes dois tipos principais, existem variações como o baixolão (um baixo acústico com corpo semelhante ao de um violão), o baixo fretless (sem trastes no braço), e baixos com diferentes números de cordas e afinações para necessidades musicais específicas.

Tang tang é um instrumentos de percussão do tipo idiofone, de madeira ou de metal, dependendo da região e do contexto cultural. Pode fazer-se com materiais reutilizáveis, incluindo canas, um pauzinho e contas de madeira.

ETIQUETAS

  • Instrumentos de percussão de madeira
Tang tang, instrumento de percussão

Tang tang, instrumento de percussão do tipo idiofone

O kayamb é um idiofone de percussão originário das ilhas Mascarenhas, nomeadamente das Reunião e Maurícias. É um instrumento de sacudimento, constituído por uma estrutura plana e retangular, tradicionalmente feita de cana ou bambu, preenchida com sementes, pequenas pedras, contas de vidro ou pedaços de metal.

A estrutura do kayamb é geralmente dividida em compartimentos internos para controlar o movimento dos materiais de enchimento e, consequentemente, o som produzido. Algumas versões podem apresentar ressonadores ou elementos adicionais para modificar o timbre.

O som característico do kayamb é produzido pela agitação do instrumento, fazendo com que os materiais internos colidam uns com os outros e com as paredes da estrutura. O tipo e a quantidade de material de enchimento, bem como o tamanho e a construção da estrutura, influenciam o volume, a textura e o ritmo do som resultante. Pode produzir desde um suave sussurro até um chocalho mais intenso e ritmado.

Na música tradicional das ilhas Mascarenhas, o kayamb desempenha um papel rítmico fundamental, frequentemente acompanhando cantos e danças. É um instrumento essencial em géneros musicais como o séga e o maloya, contribuindo com uma camada percussiva rica e texturizada.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais das ilhas Mascarenhas
  • Idiofones de agitamento
Kayamb, idiofone de agitamento das ilhas Mascarenhas

Kayamb, idiofone de agitamento das ilhas Mascarenhas

Kayamb, créditos Ricardo Lopes

Kayamb, créditos Ricardo Lopes

O gyli é um xilofone de madeira originário da África Ocidental, particularmente popular entre os povos Lobi, Dagarti e Sissala do Gana. É um instrumento melódico e de percussão, desempenhando um papel fundamental na música e nas tradições culturais destas comunidades.

Consiste num número variável de lâminas de madeira, geralmente entre 8 e 14, dispostas de forma escalonada sobre uma estrutura de madeira. Cada lâmina possui uma cabaça por baixo que atua como ressonador, amplificando o som produzido quando a lâmina é percutida com baquetas de madeira com cabeças de borracha. Estas cabaças podem ter pequenos orifícios cobertos por uma membrana feita de teias de aranha ou outros materiais finos, o que cria um som de “zumbido” característico que enriquece a sonoridade do gyli.

A afinação do gyli é tradicionalmente diatónica ou pentatónica, e a construção do instrumento é artesanal, utilizando materiais locais como madeira e cabaças. Existem diferentes tipos de gyli, com variações no tamanho e no número de lâminas, adaptados a contextos musicais e sociais específicos, como funerais, rituais de iniciação ou entretenimento secular.

ETIQUETAS

  • Idiofones de altura definida
  • Família dos xilofones artesanais
  • Instrumentos musicais do Gana
Gyli, xilofone artesanal do Gana

Gyli, xilofone artesanal do Gana

Kangobla é um instrumento musical da família dos lamelofones. Instrumento da família dos denominados “piano de polegar”, consiste numa placa de madeira com lâminas de metal escalonadas presas. Estas lâminas, ou “teclas”, são tocadas segurando o instrumento nas mãos e dedilhando-as principalmente com os polegares, mas também com o indicador direito e, ocasionalmente, com o indicador esquerdo. Quanto mais curta a lâmina (ou lamela), mais agudo o som, e quanto mais longa, mais grave.

O instrumento é um idiofone beliscado que se encontra no índice 12 no sistema Hornbostel-Sachs de classificação de instrumentos musicais. As suas partes vibrantes são colocadas em vibração ao serem beliscadas ou dedilhadas.

ETIQUETAS

  • Instrumentos musicais do Zimbabwe
  • Lamelofones dedilhados
  • Instrumentos começados por k
Kangobela, piano de dedos, Zimbábue

Kangobela, piano de dedos, Zimbábue

O nyaanyooru é um instrumento musical de cordas friccionadas tradicional do Gana. O seu corpo ressonador é feito de uma cabaça hemisférica coberta com pele de animal, geralmente de vaca ou cabra. Um braço de madeira comprido atravessa a cabaça, servindo como suporte para as cordas.

O nyaanyooru tipicamente possui duas ou três cordas, tradicionalmente feitas de tendões de animais, mas atualmente também podem ser de materiais sintéticos. Estas cordas estendem-se ao longo do braço até um cavalete na extremidade da cabaça e são afinadas por cravelhas de madeira localizadas no braço.

O instrumento é tocado colocando a cabaça no colo do músico ou apoiada contra o peito. As cordas são friccionadas com um arco curto, geralmente feito de um pedaço curvo de madeira com crina de cavalo esticada entre as extremidades. A mão esquerda do músico desliza ao longo do braço para alterar o comprimento vibratório das cordas, produzindo diferentes notas.

O nyaanyooru desempenha um papel significativo na música tradicional do norte do Gana, sendo frequentemente utilizado para acompanhar canções, contar histórias e em cerimónias sociais. O seu som é descrito como melancólico e penetrante, capaz de expressar uma variedade de emoções. Os tocadores de nyaanyooru são muitas vezes considerados importantes portadores da tradição oral e da história da sua comunidade.

ETIQUETAS

  • Instrumentos de corda
  • Instrumentos tradicionais do Gana
Nyaanyooru, créditos Música para Ver

Nyaanyooru, créditos Música para Ver

Os tambores sabar são um conjunto de tambores tradicionais do Senegal, associados principalmente ao povo Wolof e Serer, mas também tocados por outros grupos étnicos no país e na Gâmbia. O termo “sabar” refere-se não só aos tambores em si, mas também à música que produzem, à dança que os acompanha e à própria ocasião festiva ou social em que são tocados.

Os tambores sabar são tipicamente feitos de um tronco de madeira oco, tradicionalmente de dimb (madeira dura), com uma pele de cabra esticada sobre a abertura e fixada por um sistema complexo de cordas e sete estacas de madeira que permitem a afinação. Existem vários tipos de tambores sabar num conjunto, cada um com um tamanho, forma e, consequentemente, um som e função distintos dentro da música. Alguns dos tambores mais comuns incluem o nder (o maior, frequentemente o tambor principal), o lamb ou thiol (um tambor baixo e pesado), o mbeng-mbeng (um tambor de acompanhamento de tom médio) e o tungune (um tambor pequeno e de tom agudo).

A técnica de tocar sabar é única, envolvendo o uso de uma mão e uma baqueta (galan). A mão é usada para produzir sons abafados e abertos, enquanto a baqueta cria ritmos distintos e acentos. Os percussionistas de sabar são altamente habilidosos e capazes de produzir ritmos complexos e intrincados, muitas vezes incorporando “flams” (golpes quase simultâneos com a mão e a baqueta) para criar texturas rítmicas ricas.

Historicamente, os tambores sabar tinham um papel importante na comunicação entre aldeias distantes, com ritmos específicos a transmitirem mensagens. Hoje, são uma parte essencial das celebrações e eventos sociais no Senegal, como casamentos, cerimónias de nomeação e festivais, onde a sua música vibrante e enérgica incentiva a dança e a celebração. O sabar é mais do que um instrumento musical; é um símbolo da identidade cultural senegalesa e uma tradição viva transmitida de geração em geração.

Músicos como Doudou N’Diaye Rose foram figuras proeminentes na divulgação e evolução da música sabar, elevando-a a um palco internacional.

ETIQUETAS

  • Unimembranofones africanos
  • tambores tradicionais do Senegal
Sabar, Senegal

Sabar, Senegal

O karillan é um instrumento de percussão da África Ocidental, constituído por um cilindro de metal com ranhuras raspado com uma vareta de metal. Tradicionalmente, este instrumento é tocado por caçadores do sul do Mali e por mulheres para acompanhar o canto. É possível ouvi-lo em álbuns de Soungalo Coulibaly, por exemplo. Por vezes, o músico passa um fio fino nos dois pequenos orifícios localizados na parte de trás do instrumento e coloca o polegar para o segurar melhor. Atualmente, o karillan é frequentemente incluído nos conjuntos de percussão de percussionistas ocidentais. Tem cerca de 28 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro.

ETIQUETAS

  • Idiofones de raspagem
  • Instrumentos musicais do Mali
Karillan, idiofone de raspagem do Mali

Karillan, idiofone de raspagem do Mali